domingo, 20 de fevereiro de 2011

E essa noite serei seu.

Dance. Dance para mim, dance sobre mim. Mexa seu corpo, deslize suas formas sobre as minhas. Um certo dia iremos ver que só isso foi pra valer. Uma certa noite iremos perceber que só isso tem que valer. Uma certa hora iremos crer que isso é o que faz valer, E daí? Deixa rolar, quero te ter aqui dançando sobre mim, sem compromisso, apenas uma dança. Venha! Se livre desta prisão, eu sei que você quer. Não te peço mais que isso. Na verdade, não quero mais que isso. Quero simplesmente sentir seu corpo sobre o meu novamente. Não é um deslize, muito menos uma recaída. Só uma vontade de relembrar algo que foi significativo. Uma magia, lembra? Quando dançávamos juntos? Agora é o que sinto falta, é o que desejo. Apenas, desejo. 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A hypothetical but real peaceful place, or not.

Era um maravilhoso dia na vizinhança. O sol estava brilhando, os pássaros estavam cantando. Tudo parecia tão calmo. Até um estampido ecoar pelas ruas vazias.
            Pobre Little Shit, teve um ataque do coração enquanto tomava limonada com sua esposa na varanda. O barulho do seu grande corpo caindo no chão e os gritos de sua mulher desamparada chamaram a atenção de toda a pacata vizinhança. Pois nada acontecia ali há anos, nenhum acidente ou morte, nenhuma mudança ou novidade, aquele bairro sempre permaneceu na mesma.
            Era um domingo a tarde, onde em todas as casas as famílias estavam reunidas em suas salas. Porém, em menos de um segundo todos estavam do lado de fora de suas casas para ver o que tinha acontecido, foram se encaminhando à casa dos Shit e se depararam com o mórbido. Um homem de cento e cinqüenta quilos espatifado na grama, com sua esposa sobre seu corpo se debulhando em lágrimas. Uma desventura? Talvez não. Logo a ambulância foi acionada, mas era tarde demais. Little Shit havia partido. O que havia provocado repentina morte? Seria sua obesidade? Tal pergunta nunca fora respondida.
Três semanas depois um novo tumulto se formava, também em um domingo a tarde. Cockroache Crushed havia tido um ataque do coração. Mais um na vizinhança? O que estava acontecendo? Seu marido se encontrava desamparado. Era visto com os olhos vermelhos de choro toda vez que saia de casa. Mas, seria realmente choro? Tal pergunta nunca fora respondida.
Mas o que estava acontecendo com aquela vizinhança tão calma e monótona? Os pássaros não cantavam como antes, nem o sol brilhava como em outras horas. Algo tinha afetado a paz daquele lugar. Seria um acaso do destino? Ou uma mera coincidência? Talvez um amor que teria se partido e com isso a paz e a complacência.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Lamentações de um amador.

Como lidar com a perda? Quando alguém se parte, se parte para sempre, temos que aprender a seguir nossas vidas. Apesar de tudo, temos que nos concentrar e manter nosso pensamento focado ao futuro, claro, sem esquecer a importância desta que partiu. Difícil, mesmo que a perda não seja grande. Mas quem estipula o conceito de grandeza? Pode ter sido um hamister que se partiu, ou quem sabe uma mãe. Uma determinada pessoa pode sentir uma falta tão grande de um animal de estimação, outra pode não sentir nada na perda de um familiar próximo, porque talvez esse não significou nada a ele. O que não é o meu caso, deixo claro. Mas o que eu quero mostrar a vocês é que a saudade e o sofrimento são muito relativos e dependem do quanto alguém foi especial para cada um. Nunca lidei com uma perda, uma perda nesse sentido. A perda de alguém que partiu, partiu para o céu. Desde que nasci, graças Deus, nunca lidei com a morte. Na verdade, sou um amador de perdas. Mas hoje recebi uma notícia ruim, foi como um soco no estomago, um tapa na cara. Talvez tenham pessoas que me entendam ou outras que não, ou até outras que acham que é mais que isso. Eu não sei direito, mas uma parte da família se foi. Uma peça do jogo foi tirada e perdida. Meu cachorro, meu quase irmão, meu chatinho que me enchia, mas que eu adorava, não está mais aqui. Não está mais aqui quando eu abro a porta e o espero vir correndo pular em cima de mim, não está mais aqui quando eu pego seu brinquedo e jogo para que ele busque, não está mais aqui quando eu estou jantando e espero ele ao meu lado me pedindo um pouquinho, não está mais aqui quando eu estou em casa sozinho sem fazer nada e o procuro para me fazer companhia. Há muitos que pensam que eu estou exagerando, mais só quem realmente já amou seu cão ou qualquer outro animal de estimação vai entender tal dor. Não é uma dor que te deixa impotente, ou que vá atrapalhar a sua vida, também não é aquela dor que vá mudar seu comportamento ou quem você é. Mais aquela dor que te incomoda e te entristece, que te causa insatisfação e indignação. Um sofrimento de alguém que ama, de um “amador”. Sem ao menos um adeus, sem ao menos um porque, sem ao menos um motivo. A vida não nos dá porquês, a vida nos impõe situações, basta nós descobrirmos a real resposta e como lidar com tais. Quero que vá com Deus, quero que descanse em paz, quero que se vá tranqüilo de que você foi muito especial para todos aqui em casa.